{"id":4236,"date":"2024-03-04T11:22:15","date_gmt":"2024-03-04T11:22:15","guid":{"rendered":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/?p=4236"},"modified":"2024-03-04T11:22:15","modified_gmt":"2024-03-04T11:22:15","slug":"produtividade-do-eucalipto-no-cerrado-de-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/2024\/03\/04\/produtividade-do-eucalipto-no-cerrado-de-minas-gerais\/","title":{"rendered":"Produtividade do eucalipto no cerrado de Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<div>O Brasil \u00e9 l\u00edder mundial na produtividade florestal do eucalipto, sendo essa esp\u00e9cie a de maior destaque no cen\u00e1rio florestal nacional, com 5,7 milh\u00f5es de hectares cultivados em diferentes biomas brasileiros. Temos a maior produ\u00e7\u00e3o mundial de biorredutor (carv\u00e3o vegetal) para ind\u00fastria sider\u00fargica e uma ind\u00fastria de celulose de destaque internacional, detentora da maior exporta\u00e7\u00e3o de celulose de eucalipto do mundo. Minas Gerais possui maior \u00e1rea plantada do Brasil, com aproximadamente 1,4 milh\u00e3o de hectares de eucaliptos.\n<\/div>\n<div>O tema produtividade florestal tem abrang\u00eancia em diferentes \u00e1reas do conhecimento florestal e as inter-rela\u00e7\u00f5es entre essas s\u00e3o importantes para o seu entendimento. A produtividade \u00e9 o resultado do potencial gen\u00e9tico e sua intera\u00e7\u00e3o com os fatores edafoclim\u00e1ticos associados ao pacote de pr\u00e1ticas silviculturais aplicados na condu\u00e7\u00e3o dos plantios florestais.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o desses conhecimentos e uma gest\u00e3o adequada dos recursos \u00e9 que permitir\u00e3o o sucesso e o alcance de resultados superiores, tendo sempre como alvo a produtividade potencial de cada site. A produtividade florestal brasileira mais que dobrou com os programas e t\u00e9cnicas de melhoramento gen\u00e9tico e com a evolu\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas silviculturais, sendo que o advento da clonagem permitiu multiplicar rapidamente ganhos expressivos da sele\u00e7\u00e3o de gen\u00f3tipos superiores.<\/p>\n<p>Contudo, os melhoristas continuam sendo desafiados a cada dia, ora por varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que fogem dos padr\u00f5es hist\u00f3ricos, ora por novas pragas que amea\u00e7am constantemente os povoamentos florestais, comprometendo a manuten\u00e7\u00e3o da produtividade. No centro-norte de Minas Gerais, as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas t\u00eam causado preocupa\u00e7\u00f5es aos empres\u00e1rios florestais devido \u00e0 escassez de chuvas.\n<\/p><\/div>\n<div>Ao final da \u00faltima d\u00e9cada, os efeitos dessa seca j\u00e1 eram fortemente sentidos causando grande mortalidade de plantios. Dados da Emater \u2013 Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural do Estado de Minas Gerais comprovam que cerca de 150 mil hectares cultivados com eucalipto foram afetados. Nessa regi\u00e3o, tem-se observado, nos \u00faltimos cinco anos, uma grande irregularidade na distribui\u00e7\u00e3o de chuvas, mas ser\u00e1 que estamos fazendo o dever de casa corretamente?\n<\/div>\n<div>O primeiro ponto que merece a nossa reflex\u00e3o \u00e9 o crit\u00e9rio na escolha das variedades de clones para implanta\u00e7\u00e3o dos empreendimentos florestais. Observa-se uma alta severidade em parte dos plantios afetados com d\u00e9ficit h\u00eddrico, evidenciando uma grande inadaptabilidade dos materiais \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que foram expostos, o que nos leva a pensar que n\u00e3o houve uma escolha adequada dos materiais gen\u00e9ticos, assim como a popula\u00e7\u00e3o adequada para cada s\u00edtio.<\/p>\n<p>Os maiores bancos gen\u00e9ticos de eucalipto est\u00e3o nas empresas do setor florestal e essas procuraram nos \u00faltimos anos expandir seus bancos, buscando inserir genes de toler\u00e2ncia \u00e0 seca atrav\u00e9s de diferentes esp\u00e9cies que possuem essa caracter\u00edstica. Esses bancos gen\u00e9ticos t\u00eam apresentado variabilidade gen\u00e9tica adequada para a supera\u00e7\u00e3o desses desafios. Empresas que est\u00e3o atentas e trabalhando de forma \u00e1gil j\u00e1 conseguem plantar novos clones mais tolerantes a d\u00e9ficit h\u00eddrico.\n<\/p><\/div>\n<div>Outra linha de trabalho importante nesse sentido \u00e9 o retorno e expans\u00e3o dos trabalhos com o g\u00eanero Corymbia. Atualmente os h\u00edbridos desse g\u00eanero t\u00eam apresentado bom crescimento e boa adaptabilidade em regi\u00f5es com per\u00edodos secos bem definidos, al\u00e9m de possuir caracter\u00edsticas importantes de qualidade da madeira para produ\u00e7\u00e3o de biorredutor.<\/p>\n<p>Alguns h\u00edbridos, por exemplo, apresentam densidade da madeira acima de 600 kg\/m\u00b3. Iniciativas de projetos como o coordenado pela SIF da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, para desenvolvimento de materiais mais tolerantes \u00e0 seca e o TECHS (Toler\u00e2ncia de Eucalyptus Clonais aos Estresses H\u00eddrico e T\u00e9rmico) coordenado pelo IPEF \u2013 Instituto de Pesquisas Florestais, apresentam-se como importantes iniciativas na evolu\u00e7\u00e3o do entendimento dos fatores que interferem no crescimento de povoamentos submetidos a um d\u00e9ficit h\u00eddrico intenso.\n<\/p><\/div>\n<div>O segundo ponto que merece nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 regula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica nas propriedades. Voc\u00ea, empres\u00e1rio florestal, esteve atento \u00e0s medidas de controle da eros\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica nos seus plantios? Entender o posicionamento de sua propriedade dentro da bacia e da microbacia hidrogr\u00e1fica, a ocupa\u00e7\u00e3o da bacia com os plantios e adotar medidas como plantio em n\u00edvel, popula\u00e7\u00e3o adequada para o s\u00edtio, prote\u00e7\u00e3o das matas ciliares, constru\u00e7\u00e3o de caixas de conten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para prote\u00e7\u00e3o das estradas e barraginhas para auxiliar na infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no perfil do solo \u00e9 de suma import\u00e2ncia e um diferencial em situa\u00e7\u00f5es de seca intensa.\n<\/div>\n<div>Outros pontos importantes relacionados ao manejo tornam-se fundamentais visando minimizar os efeitos da seca, dentre eles o conhecimento adequado do tipo de solo e o manejo nutricional aplicado aos povoamentos florestais. O mapeamento de solos \u00e9 uma ferramenta utilizada para identificar os tipos de solo de cada propriedade, permitindo a classifica\u00e7\u00e3o, separa\u00e7\u00e3o e manejo adequado a cada site, assim como auxiliando na defini\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o adequada para cada ambiente em fun\u00e7\u00e3o dos recursos de crescimento. O manejo operacional e nutricional dos povoamentos de eucalipto evoluiu significativamente nas \u00faltimas d\u00e9cadas com t\u00e9cnicas e procedimentos consolidados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O cultivo m\u00ednimo por meio da subsolagem, por exemplo, com aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes de alta tecnologia, permitiu um arranque r\u00e1pido e homog\u00eaneo dos plantios, e, atualmente, j\u00e1 s\u00e3o testadas aduba\u00e7\u00f5es mais concentradas visando ainda \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de interven\u00e7\u00f5es. Para regi\u00e3o com d\u00e9ficit h\u00eddrico intenso, a utiliza\u00e7\u00e3o do boro pulverizado tornou-se pr\u00e1tica fundamental para continuidade do crescimento em \u00e9pocas secas, evitando-se a seca de ponteiros e deforma\u00e7\u00f5es na madeira, al\u00e9m de permitir maior vigor das florestas plantadas.\n<\/div>\n<div>O elemento pot\u00e1ssio tamb\u00e9m mostra sua relev\u00e2ncia nesses ambientes, sendo respons\u00e1vel por um melhor controle estom\u00e1tico e prote\u00e7\u00e3o das plantas em \u00e9pocas cr\u00edticas. Uma equilibrada disponibilidade de nutrientes \u00e9 regra b\u00e1sica para alcan\u00e7ar produtividades superiores.\n<\/div>\n<div>A evolu\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de monitoramento nutricional j\u00e1 permite o acompanhamento das florestas em diferentes idades e cabe aos silvicultores tomadas de decis\u00e3o \u00e1geis para corre\u00e7\u00e3o de desvios. Novos estudos continuam sendo importantes para evolu\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea e o aprofundamento dos estudos fisiol\u00f3gicos permitir\u00e1, em um futuro pr\u00f3ximo, identificarmos marcadores fisiol\u00f3gicos de toler\u00e2ncia \u00e0 seca.\n<\/div>\n<div>J\u00e1 n\u00e3o bastasse o cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com forte estresse h\u00eddrico no centro-norte de Minas Gerais, as pragas que entraram no Brasil nesta \u00faltima d\u00e9cada adaptaram-se muito bem a esse tipo de ambiente. No momento temos tr\u00eas importantes pragas causando preju\u00edzos e interferindo na produtividade dos povoamentos florestais, todos insetos sugadores, sendo eles o psil\u00eddeo de concha (Glycaspis brimblecombei), os psil\u00eddeos de ponteiro (g\u00eanero Ctenarytaina) e o percevejo bronzeado (Thaumastocoris peregrinus), este \u00faltimo causando perdas na ordem de 15% da produtividade florestal na regi\u00e3o do cerrado.<\/p>\n<p>Os protocolos de monitoramento s\u00e3o suficientes para o momento, sendo o controle biol\u00f3gico a principal linha adotada. Os inimigos naturais multiplicados em laborat\u00f3rios e liberados em planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos pelo Brasil tornam as florestas plantadas socialmente mais aceit\u00e1veis e equilibradas do ponto de vista da sustentabilidade ambiental. Outra importante sa\u00edda est\u00e1 no melhoramento gen\u00e9tico com desenvolvimento de clones tolerantes ou resistentes \u00e0s principais pragas e doen\u00e7as do eucalipto.\n<\/p><\/div>\n<div>Novas tecnologias est\u00e3o sendo trazidas para o setor e v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o do aumento da produtividade florestal. Indicadores de homogeneidade e crescimento como o PV50 e Altura Potencial est\u00e3o sendo utilizados em idades jovens dos plantios e permitem identificar e tratar desvios.<\/p>\n<p>O aumento do n\u00edvel de mecaniza\u00e7\u00e3o e automa\u00e7\u00e3o, a evolu\u00e7\u00e3o nas pr\u00e1ticas silviculturais e o melhor n\u00edvel de controle com o mundo digital invadindo as florestas s\u00e3o muito bem- -vindos para apoiar o silvicultor em sua rotina di\u00e1ria nos plantios florestais.\u00a0 Por\u00e9m, o alcance de produtividades superiores requer disciplina, conhecimento, agilidade, capacita\u00e7\u00e3o do corpo t\u00e9cnico e uma forte gest\u00e3o de todos os fatores de interfer\u00eancia.\n<\/p><\/div>\n<div>De nada adiantar\u00e1 a melhor tecnologia, os melhores hardwares, softwares e ferramentas se n\u00e3o estivermos com as pessoas certas nos lugares certos, com autonomia e conhecimento para tomadas de decis\u00e3o \u00e1geis e precisas. As pessoas e suas atitudes, ou a falta dela, s\u00e3o os principais respons\u00e1veis por mapear os riscos e tomarem todas as medidas de controle visando ao sucesso ou at\u00e9 mesmo ao fracasso do neg\u00f3cio florestal.\n<\/div>\n<div>Enquanto alguns empres\u00e1rios, por causa dessas amea\u00e7as, est\u00e3o desistindo dos investimentos no setor florestal, temos empresas que est\u00e3o aproveitando o aprendizado gerado nos momentos de varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e, com agilidade, est\u00e3o crescendo com maior seguran\u00e7a e controle dos riscos aos quais estamos expostos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fonte: Revista Opini\u00f5es<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 l\u00edder mundial na produtividade florestal do eucalipto, sendo essa esp\u00e9cie a de maior destaque no cen\u00e1rio florestal nacional, com 5,7 milh\u00f5es de hectares cultivados em diferentes biomas brasileiros. Temos a maior produ\u00e7\u00e3o mundial de biorredutor (carv\u00e3o vegetal) para ind\u00fastria sider\u00fargica e uma ind\u00fastria de celulose de destaque internacional, detentora da maior exporta\u00e7\u00e3o<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":4237,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4236"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4238,"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4236\/revisions\/4238"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4237"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindifer.com.br\/sndfr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}