A atividade industrial em Minas Gerais teve retração em fevereiro de 2026, gerando um resultado negativo pelo quarto mês consecutivo. De acordo com a Sondagem Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), esse movimento de queda, medido pelo índice de evolução da produção, alcançou 42,9 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos. Apesar da leve alta em relação a janeiro, o resultado representa recuo de 6,0 pontos na comparação com fevereiro de 2025.
Outro dado preocupante para o setor foi a redução do emprego, que também apresentou desempenho negativo. O índice de evolução do número de empregados marcou 46,1 pontos, sinalizando recuo e mantendo-se abaixo do observado no mesmo período do ano anterior. Isso significa que, além de menos vagas, o uso da mão de obra nas empresas está abaixo do padrão usual, evidenciando menor dinamismo do setor.
“O mês de fevereiro é um mês em que esperamos ter queda da atividade: tem menos dias úteis, ainda é início de ano e muitas vezes tem o Carnaval. Então já é um mês que a gente espera que vai ser mais fraco. Mas o fevereiro desse ano, quando comparado com o do ano passado, acentuou essa queda, e isso realmente chama atenção”, disse a coordenadora de pesquisas econômicas da Fiemg, Daniela Muniz.
Estoques e investimentos
Outro fator do estudo da Fiemg que indica desaquecimento da atividade industrial é o comportamento dos estoques das empresas. Em fevereiro, os estoques de produtos finais registraram queda e permaneceram abaixo do nível planejado pelas indústrias – movimento que se repete há sete meses consecutivos. A utilização da capacidade produtiva também recuou, atingindo 37,6 pontos, patamar inferior tanto ao mês anterior quanto à média histórica.
“O que esses estoques abaixo do planejado evidenciam? Em um contexto em que a produção está em queda, a utilização da capacidade instalada também está baixa e as expectativas seguem moderadas, as empresas tendem a operar com mais cautela. Elas evitam recompor estoques, ou seja, fazem o que a gente chama de um ajuste defensivo: produzem menos para evitar acúmulo indesejado”, explica Daniela.
No campo das expectativas, os sinais são de moderação. O índice de expectativa de demanda ficou em 50,4 pontos em março, indicando leve perspectiva de crescimento, porém no menor nível para o mês em uma década. Já a expectativa de compra de matérias-primas registrou 49,9 pontos, sugerindo estabilidade em níveis historicamente baixos. Em relação ao emprego, a projeção é de continuidade da retração nos próximos seis meses, com o indicador marcando 48,2 pontos, também o menor para março em dez anos.
As intenções de investimento apresentaram avanço na comparação mensal, alcançando 56,7 pontos. Ainda assim, permanecem abaixo do registrado há um ano, sinalizando maior cautela por parte dos empresários diante de um ambiente econômico marcado por incertezas e condições financeiras restritivas.
De forma geral, os resultados da sondagem indicam perda de fôlego da indústria mineira no início de 2026, com expectativas mais contidas e recuperação ainda pouco disseminada entre os setores.
Cenário macro tem de mudar
Para a coordenadora de pesquisas econômicas da Fiemg, Daniela Muniz, o ambiente de juros altos contribui para a moderação da atividade econômica, afetando diretamente o desempenho da indústria, especialmente por meio do crédito mais caro e da menor confiança empresarial.
“Juros elevados restringem crédito e investimentos. A incerteza global, intensificada pelos conflitos no Oriente Médio – cujo desdobramento ainda é imprevisíve -l, cria esse cenário sem perspectivas claras. Somente mudanças concretas nesses elementos podem melhorar a percepção empresarial e estimular novos investimentos”, conclui Daniela.
Fonte: Diário do Comércio.